Sangue Menstrual, Sangue Sagrado! Os Mistérios Do Sangue...


A primeira e mais antiga forma de medir o tempo foi pelo ciclo menstrual das mulheres. Olhando o céu e contando os dias para a chegada da menstruação ou para a confirmação da gravidez, as mulheres criaram os primeiros calendários e estabeleceram as bases do conhecimento mítico e mágico da Lua. A raiz da palavra "menstruação" vem do latim mens e significa "lua" e "mês".

Para os povos antigos, a menstruação era um dom dado às mulheres pelas Deusas para que elas pudessem criar e perpetuar a própria vida. A sincronicidade do ciclo lunar e menstrual refletia o vínculo entre a mulher e a divindade, pois ela guardava o mistério da vida em seu corpo e tinha o poder de tornar real o potencial da criação. Esses ciclos também refletiam as estações e mudanças da natureza, o ventre aparecendo como receptáculo da vida eterna, simbolizado pelo cálice, caldeirão ou Graal em vários mitos.

Todos os homens nascem da mulher, seus corpos são formados dos tecidos de seu útero, o sangue que corre nas veias do recém nascido é o sangue de sua mãe. O poder da mulher vem através de seu sangue, por isso ela não deve temê-lo ou despreza-lo, mas considera-lo sagrado, imantado com o poder que liga a mulher à Fonte da Criação.

Considerada pelos povos antigos como a "Flor da Lua" ou o "Néctar da Vida", a menstruação passou a ser denegrida e desprezada pelas sociedades patriarcais, que a consideravam a origem do poder maligno da mulher, a marca do demônio, o castigo dado a Eva por ter transgredido as regras de obediência e submissão. Enquanto que nas sociedades matrifocais as sacerdotisas ofereciam seu sangue menstrual à Deusa e faziam suas profecias durante os estados de extrema sensibilidade psíquica da fase menstrual, a Inquisição atribuía a esse poder oracular a prova da ligação da mulher com o Diabo, punindo e perseguindo as mulheres "videntes". E assim originaram-se os tabus, as proibições, as crendices e as superstições referentes ao sangue menstrual. Esse temor vinha do fato de que o homem, quando sangrava, era por ferimento ou doença, consequências quase sempre fatais.

Infelizmente, milênios de supremacia e domínio patriarcal despojaram as mulheres de seu poder inato e negaram-lhe até mesmo seu valor como criadoras e nutridoras da própria vida. Reduzidas a meras reprodutoras, fornecedoras de prazer ou de mão-de-obra barata, as mulheres foram consideradas incompetentes, incapazes, desprovidas de qualquer valor e até mesmo de uma alma!

Pelo ressurgimento do Sagrado Feminino, as mulheres estão reaprendendo o verdadeiro valor sagrado de seus corpos, de suas mentes e de seus corações. Restabelecem-se os rituais de passagem, celebrando as fases de transição na vida da mulher: a menarca (a primeira menstruação), a maturidade sexual, a gestação, o parto e a menopausa.

É imperativo à mulher contemporânea recuperar a sacralidade e sua biologia. Para isso, ela deve lembrar seus antigos conhecimentos, compreender os verdadeiros mitos e arquétipos de sua natureza lunar, reconhecer o poder mágico de seu ventre e sua conexão com a Deusa. Esse ato de "acordar" e "relembrar" reconecta a mulher à sua essência verdadeira, dando-lhe novos meios para viver de forma mais plena, harmônica, mágica e feliz.
A fase da menstruação é uma benção imensa pois permite-nos purificar, crescer e renovar a nossa energia e ao gerarmos uma atitude positiva na direção do futuro nesta fase, aumentamos o nosso poder de manifestação!

Bibliografia: O Anuário da Grande Mãe, Mirella Faur

Marta Pacheco 
Guardiã de Círculos Femininos | Ginecologia Natural | Terapeuta Holistica e Psicoterapeuta