Este ano civil encerra com a energia que predominou o ano universal 3. Foi um ano extremamente expansivo, que exigiu de ti criatividade e capacidade para te relacionares.

Há a tendência para confundir criatividade com capacidade artística, mas vai para além disso. A criatividade aparece aqui com a aceção de criares a tua realidade. Sim, tu vens para criar a tua visão do mundo, a tua própria realidade e construi-la nos valores que transcendem a condição humana, como a compaixão, o perdão e o amor.


A criatividade é a capacidade que tens para colocares uma versão alternativa àquela que a tua mente acredita, tornando-te compassivo/a e compreensivo à dor e experiência dos outros. É a capacidade de ser flexível, de te adaptares sem ficares escravo/a das tuas próprias crenças. É a tua capacidade de criares soluções perante os problemas que podem surgir, é a capacidade que tens para criar ação (daí criAção) em vez de mera reação, é a capacidade para criares, agires, fazer a vida que queres em vez de te deixares levar pela maré.


No fundo, este ano pediu-te para trazer a tua consciência àquilo que vieste cá fazer: o teu propósito, a tua missão. Como te sentes perante aquilo que fizeste até então? Estás em paz? Está insatisfeito/a? Este ano pediu-te para prestares atenção a estes sintomas emocionais ou físicos que funcionam como sinal de alerta para fazeres a diferença na tua vida. Um ano e um mês de energia 3 também te impele a comunicar. Mas não interpretes isso como a tua forma de comunicar para o exterior.


Quando decidimos encarnar, viemos cumprir as nossas aprendizagens enquanto seres singulares pelo que não existe vivência igual a tua. É no teu interior que toda a magia e transformação acontecem. Apenas tu tens consciência dos teus processos, das tuas batalhas, das tuas aprendizagens. Apenas tu tens noção da forma como aproprias o mundo, como interpretas a tua história e a realidade. Tens a tua própria visão, a tua própria moldura com a qual selecionaste as aprendizagens, os eventos, as palavras e/ou experiências que mais te marcaram na tua vida. Essa seleção é responsável pela pessoa que hoje és. Essa seleção é a forma como comunicas contigo própria. É a versão do copo meio vazio ou meio cheio.


Qual é a história que tu contas a ti própria sobre a tua realidade? A nossa mente, governada pelo nosso Ego, tem a tendência em criar uma versão alternativa e redutora da realidade e das experiências que vivemos, mas nenhuma delas corresponde A VERDADE. Aliás é sabido que existe sempre 3 versões de uma história: a minha, a tua e a verdade.


A energia deste ano universal levou-nos a equacionar as batalhas que mantemos no nosso interior quando se trata de comunicar connosco próprios. Qual é o tom com o qual te diriges a ti? Acusador? Incisivo? Autocrítico? Intransigente? De que forma esse tom influencia a tua vida e a tua perceção dos eventos: és uma pessoa crítica? Que julga e condena? De que forma aceitas a mudança? Este ano foi propício para tomares consciência dessa comunicação negativa ou positiva que estabeleces dentro de ti e de como ela influencia o teu estado anímico.


Esta energia permitiu-te perceber de que forma a mente apenas te conta uma história construída a partir de todos os episódios que decidiste emoldurar ao longo da tua vida. Se tiveste a pré-disposição para guardares episódios mais negativos, terás tendência a ter uma comunicação mais condenatória e uma mente mais inquisitiva. Se ao longo da jornada te esforçaste para guardar os momentos mais radiosos, terás uma comunicação mais positiva e otimista, baseada na confiança, na fé, na esperança. A forma como comunicas contigo próprio influencia muito a forma como os outros te vêem.

 

Este mês, em especial, fecha-se com a festa de Natal.

É o mês de criar: cria-se decorações, prendas e pratos em busca do belo. É o mês de comunicar afetos e reconhecimento e o mês da família, um mês que irradia Luz. Mas quando olhas para o exterior, é um mês de correria para comprar e consumir. Foge disso, pois este mês incentiva-te a criar com amor. Por isso, dedica esta quadra especial a fazer bolachas ou doces com os teus filhos, a tua mãe ou irmãs, a fazer recordações para oferecer aos colegas, aos educadores, aos clientes ou aos professores, a criar postais para enviar a quem está longe, a criar contos e histórias carregados de magia. Pois é no processo de criar que materializas todo o teu afeto e o teu amor.

Sente verdadeiramente o espírito de Natal. Não consumas presentes: vive e aproveita o presente rodeado/a de quem mais gostas. Esta quadra é de dádiva e de amor. Uma dádiva que não pode ser comprada: ela nasce da humildade do dar e oferecer. Não vás onde está a multidão: vive os teus momentos de amor e afeto resguardados no teu interior e no teu lar.
Afinal não é esse propósito que a história do nascimento de Jesus nos conta? Uma história onde dois Humanos receberam e criaram o divino: o amor. O amor que levou a aproximar povos que viajaram para o ver. Longe da multidão, do frenesim e dos bens materiais.

Nesta quadra, não busques o imediato, o fácil, o material: cultiva e cria o presente. Não te afastes dessa essência, que te impele a criar com amor. Nesta quadra, sê como Jesus te ensinou com o seu nascimento: criador. Criador do teu presente, criador da tua história, criador de afetos e amor! Neste mês, sê a tua própria estrela, a deixar-te guiar pelo amor!

 

Manuela Castro | Numeróterapeuta&Numerógrafa