Alguns pesquisadores imaginam que antes da nossa civilização patriarcal, guerreira e dominadora existia outro tipo de sociedade. Uma sociedade na qual os seres humanos viviam em regime social de parceria, em relativa harmonia entre si e com a natureza.


É através do regresso ao círculo e à liderança circular que nos iremos transformar a nós mesmas e ao mundo pois é nele que se encontram as chaves para a União de todas as partes.


O círculo encerra em si uma medicina muito própria e muito sagrada. A geometria do círculo transmite os códigos de igualdade e unidade, mas também de ciclicidade e transformação. Assim, quando abrimos um espaço sagrado através da geometria do círculo, estamos a co-criar uma mandala divina, um espaço para a Cura e Elevação.


O encontro em círculos é muito importante para as mulheres modernas, pois este tipo de encontro elimina a hierarquia e propicia um espaço seguro e protetor. Nesta geometria todas somos vistas e ouvidas de forma igual, todas estão à mesma distância do centro onde existe sempre um fogo sagrado invisível, conectado com o fogo sagrado do nosso Coração e Útero, e com o Útero/Coração da Terra. É à volta desse fogo que restabelecemos o contato com o mundo Cósmico e Telúrico, não visível, mas totalmente perceptível. É através desse fogo ígneo e mágico que aprendemos a reconhecer as nossas forças, aprendemos a ouvi-las e respeitá-las.


A mulher quando se senta pela primeira vez em círculo, ativa dentro de si muitas memórias, é frequente vir emoção, uma sensação de “casa” e é comum surgirem comentários como: “ sinto que isto já aconteceu antes... nada disto é novo para mim”. Isto acontece porque na verdade estamos apenas a relembrar... estamos a recordar que somos mulheres do círculo e de ciclos... já nos sentámos em Roda muitas vezes, em muitas vidas. Chorámos, rimos, partilhámos, curámos, morremos e renascemos... e este é o momento de ativar todas essas memórias e sabedoria e retomar o nosso Lugar no grande Círculo Sagrado da Vida.

 



O Resgate do Sagrado Feminino não é apenas o resgate da Deusa em nós, mas do equilíbrio entre nosso mundo interior e exterior, o equilíbrio entre a nossa polaridade feminina e masculina, a aceitação da nossa Luz e da nossa Sombra e do nosso Ser Humano e Divino. E o círculo é o espaço sagrado que nos levará à aceitação e integração de todas as nossas partes para assim podermos fazer nascer a melhor versão de Nós Mesmas!

Texto: Inês Gaya