O Psicólogo não cura - Porque vou a um Psicólogo se não estou doente?

-“Vou ao Psicólogo.”

-“Mas porquê? Pareces-me tão bem!”

-“Sinto-me bem, é verdade. Mas quero estar melhor.”

Este diálogo é-lhe familiar? Não? Ainda considera que só vai ao psicólogo quem está doente? Então, em menos de dois minutos, vou provar-lhe que todos podemos e devemos ir
ao psicólogo para que, a cada dia, nos sintamos melhor, mais fortes, mais felizes.

 

Psicólogo e Psicologia são palavras que já não são estranhas para a maioria de nós. Felizmente.

Por outro lado, infelizmente, existe ainda pouca informação sobre o papel do psicólogo, que continua a ser perspectivado como um profissional que “cura” depressões, estados de ansiedade, crises relacionais, perturbações familiares,… Sim, o psicólogo também intervém nestas áreas; mas não se limita a elas e, acima de tudo, não prescreve receitas mágicas que curam “males”….

 

Vejamos um outro lado da actuação profissional do psicólogo:

Numa sociedade marcadamente acelerada e competitiva, todos os dias somos bombardeados por informação sem fim: pelas redes sociais, pelos meios de comunicação social, pelos amigos com quem nos cruzamos,… E, por vezes, sentimo-nos inundados com tanta coisa, em tão pouco tempo. Ficamos esgotados, sem saber onde guardar tantas e tão variadas informações. Se as informações forem positivas, lá arranjamos um cantinho dentro de nós para as colocar. Mas, e se essas informações nos provocarem emoções e sentimentos negativos, onde vamos guardá-las?

 

Já passou por alguma (ou mais do que uma) destas situações?

- indecisão quanto a um problema que urge ser resolvido…

- tristeza por perda de pessoas próximas…

- frustração por não se sentir satisfeito no trabalho…

- stress porque não consegue dar resposta em tempo útil a um afazer…

- ansiedade porque se aproxima um momento-chave…

- solidão porque se sente incompreendido…

 

Nestas e noutras situações é difícil processar tanta informação. Ou porque é informação a mais, de uma só vez, ou porque nos sentimos mais cansados, menos fortes do que é habitual. Não somos fracos por isso! Até porque, descanse, não é crónico, é temporário!

 

Repare: depois de um dia trabalho está cansado; após uma caminhada, sente-se exausto; uma noite mal dormida tolda-lhe o desempenho. O que faz? Descansa e no dia seguinte está física e mentalmente recuperado. Mas e quando as emoções e sentimentos negativos se apoderam de nós? Como recuperamos o fôlego? Não tem que fazer tudo sozinho! Simples. Vá ao psicólogo.

 

O psicólogo orienta-o no processo de arrumação dentro de si mesmo da informação responsável pelas emoções e sentimentos negativos. É alguém que o ouve, sem críticas ou julgamentos de valor, que o ajuda a clarificar o problema, a definir prioridades, a descobrir os seus recursos internos, a explorar possibilidades e a chegar a uma solução.

 

Às vezes, a torrente de informações, emoções e sentimentos a que estamos sujeitos não nos permite ver o potencial que existe em nós. Sim, é verdade que, por vezes, nos sentimos impotentes, achamos que não vamos conseguir, e ficamos pelo caminho, derrotados… O psicólogo ajuda-nos a desbloquear, a sair do estado em que nos sentimos paralizados e a seguir em frente, usando os nossos superpoderes.

Sim, sabia que somos todos super-heróis? Cada um à sua maneira, claro, cada um com o seu potencial. O psicólogo ajuda-o a despertar esse potencial, a tomar consciência de que ele existe, a aprimorá-lo e a usá-lo.

 

Como vê, o papel do psicólogo não é o de “curar”. É um caminho a dois: você tem a chave para se sentir melhor consigo, com os outros, com o seu trabalho; o psicólogo ajuda-o a perceber isso e a usar a chave para uma vida em que se sinta melhor, mais forte, mais feliz.

 

Dra. Mara Bento
Psicologa e Consultora GPs - Grandes Protagonistas, cédula nº 12675