O Desenvolvimento Emocional da Criança - Parte II

Na semana passada comecei a escrever sobre a temática do desenvolvimento emocional da criança, que muito se tem falado nos dias de hoje. Mas afinal o que é isto da emoção? A palavra emoção, vem da palavra latina "emovere", que significa "por em movimento". Uma emoção é o que faz com que o nosso espírito se mova para pensamentos enriquecedores, neutros ou negativos. Os pensamentos levam-nos a atuar de um modo ou de outro, conduzem-nos a padrões de comportamento, e a estados de humor.

Para Jung, a criança é a extensão da psicologia de seus pais e está sujeita às influências deles, estando suas experiências posteriores e relacionamentos adultos, dependentes da forma como irão internalizar as figuras de seus pais e o relacionamento deles, e com eles, dia após dia, ao longo de uma vida, faz a nossa forma de ser e sentir.

Todas as emoções que surgem do amor são boas porque fazem-nos sentir bem connosco e unem-nos aos outros. As que surgem do medo fragmenta-nos por dentro e separam-nos dos outros. São dois sentimentos totalmente contrários. O amor relaxa-nos, expande-nos. O medo paralisa-nos, contrai-nos.

As emoções vão e vêm como as ondas do mar. A nossa mente é muito parecida com o mar, podemos observa-las e aprender a responder de uma forma mais calma em vez de reagir de forma automática. Não podemos escolher o que nos acontece ou os nossos pensamentos, mas podemos escolher a forma como reagimos a essa emoção.

A ansiedade esta ancorada nos nossos primeiros anos de vida e na maneira como o organismo se habituou a lidar com ela. Também pesa a resposta que o meio envolvente lhe deu. Traz com ela outros sentimentos que lhe ficaram associados: alegria, frustração, excitação, medo, euforia, alienação, esperança, solidão ou outros que possam ter pesado ao longo do tempo. Em grande parte, a resposta atual desperta um processo inconsciente, ou seja, acontece de forma a que não a possamos controlar, é automático, e tanto depende da situação concreta em que nos encontramos na atualidade, como daquilo que ficou no passado.

Nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento cerebral da criança tem períodos de grande crescimento e expansão das células neuronais. As novas experiencias do bebe e da criança fazem surgir novas conexões, dando origem a uma determinada arquitetura cerebral com determinadas características. Esta estrutura é fundamental que ocorra de forma equilibrada, pois serão os alicerces da sua própria casa.

No primeiro ano de vida, a interação do bebe com a mãe e o pai, contribui para o desenvolvimento de sistemas operativos e conexões ligados a vinculação e a regulação das emoções. No segundo ano de vida, uma das grandes conquistas é a aquisição da linguagem, todo o córtex cerebral evolui. O hemisfério direito, fá-lo um pouco mais rápido, e é aqui que se organiza a aprendizagem vital dos afetos, da vinculação e da regulação das emoções como a identidade de cada um.

Assim, a identidade da criança molda-se com base nestas experiencias, é assim que ela define a forma como se sente e vê perante os outros e desenvolve uma determinada habilidade para se relacionar com eles.

Por norma, as crianças com vínculos mais inseguros terão maior tentação de desistir, sentirão mais raiva e frustração e terão menos habilidade para regular as emoções de forma adequada ao contexto. Nestas situações, o ideal é trabalhar com a família. A solução não passa por procurar um pedopsiquiatra, ainda que isso possa ser vital. Se a criança se sentir compreendida, terá muito mais oportunidades para ultrapassar os seus bloqueios com sucesso, sobretudo se a família também se envolver no processo terapêutico.

No próximo artigo, abordarei a mesma temática no contexto educativo.    O professor como apoio emocional.

 

 

 

Marta Pacheco

Mestre em Psicologia Clinica
Terapeuta de Reiki e Regressão | Professora de Meditação Transpessoal e Reiki

Bibliografia:

Estrada, M. M. (2016). Um Mapa para chegar ao coração de uma criança. Lisboa: Oficina Livro.

Sainz, P. (2015). Sentados e atentos. Lisboa: matéria prima.