O Desenvolvimento Emocional da Criança - Parte III

No artigo anterior escrevi sobre o que são as emoções e o seu desenvolvimento. A importância de um bom desenvolvimento da estrutura cerebral, sendo esta os alicerces de toda a aquisição que vira após a criança entrar na escola e tiver o primeiro contato com os novos amigos e professores.

Muitas crianças tem a vida delas marcadas pelas influencias de fantasmas invisíveis, e sentem uma enorme necessidade estar perto de pessoas que lhes faça sentir seguras e calmas. Na maioria, procuram essa orientação em um ou outro professor. É importante que os professores tenham alguma disposição para prestar este apoio emocional as crianças, e que possam transmitir as crianças uma visão otimista em relação as suas capacidades e perspetivas. Relativamente as crianças que tenham problemas de vinculação, é importante que não desaparece este acompanhamento, pois a nível emocional são crianças muito frágeis, onde se sentem de forma geral, emocionalmente abandonadas.

Existem alguns sinais que costumam ajudar a identificar uma criança com problemas de vinculação. Entre eles estão:

  • Dificuldade em manter-se focada e atenta
  • Comportamentos disruptivos
  • Tendência para controlar o meio que a rodeia
  • Isolamento
  • Comportamentos autodestrutivos

Com o sofrimento interno que as afeta, podem obter baixos rendimentos escolares e estar sujeitas a castigos e a suportar o peso de se sentirem excluídas. Se as escolas conseguirem apoiar estas crianças, parte do insucesso esta resolvido.

A maioria das escolas esquecem-se que é lá que as crianças constroem os seus novos sentidos de coerência sobre si próprios e dos outros. Os educadores tornam-se numa segundo família, e por este motivo, as crianças com problemas de vinculação ou de saúde psicológica, a escola tem um papel importante e determinante no apoio emocional e no equilíbrio mental dos alunos.

Já pensaram que muitas crianças não tem esse mesmo apoio em casa?!

As crianças que não são compreendidas correm o risco de:

  • Não terem as mesmas oportunidades de desenvolver o seu potencial quando forem adultas
  • ficar em situações de exclusão social
  • ficar presas a adições, como drogas e álcool
  • cair na delinquência
  • se suicidarem
  • desenvolver problemas de saúde mental
  • se tornarem agressoras contra a sociedade e os seus próprios filhos, prolongando o ciclo de exclusão social e de falta de oportunidades provocado pela falta de ferramentas emocionais, sociais, comportamentais e cognitivas indispensáveis para interromper o processo.

Se uma criança tiver um ego fragilizado, pode precisar de destruir tudo o que lhe apareça a sua frente, recorrendo normalmente a sua raiva narcísica para suportar a ferida que carrega. Se estiver dessensibilizada em relação ao mundo, é possível que use o sadismo para aniquilar as dores internas.

É fundamental que os pais e educadores fiquem atentos quando uma criança brinca de uma forma em que provoca destruição, não sendo capaz de dar largas a sua criatividade ou perder a capacidade de se dedicar a atividades lúdicas, ou mesmo quando os amigos se afastam dela.

Entendendo o que esta na origem do comportamento das crianças, teremos mais hipóteses de criar e implementar programas escolares que as ajudem a elas e as suas famílias.

 

 

Marta Pacheco

Mestre em Psicologia Clinica
Terapeuta de Reiki e Regressão | Professora de Meditação Transpessoal e Reiki

Bibliografia:

Estrada, M. M. (2016). Um Mapa para chegar ao coração de uma criança. Lisboa: Oficina Livro.

Sainz, P. (2015). Sentados e atentos. Lisboa: matéria prima.